A Janela Mágica

Tudo está em constante movimento, em crescentes transformações, são muitas mudanças no decorrer de cada segundo, insistentemente. 

Quando retornamos a um lugar depois de algum tempo notamos que tudo ou quase tudo ali ficou diferente. Uma rua que fora calçada, um arbusto que virou árvore, casas que foram reformadas...

Como tudo muda! Não estamos falando apenas das mudanças naturais, como o filho que virou pai, o aluno que se tornou professor, ou a semente que fez surgir um exuberante roseiral. Tem a ver com as mudanças na forma, no formato, não na essência. É o caso daquele que estava perdido e achou o seu lugar, do desempregado que se qualificou e conquistou um emprego.

Há tempos, as pessoas costumavam sentar à janela e ali ficavam horas, amiúdes, observando as pessoas que passavam, medindo seus atos, tomando conta das contas alheias. A janela deixou de ser o buraco na parede para ser o olho da rua, a televisão realista com programação variada: a novela da vida real, o big brother do cotidiano, coisas assim. Essa janela mágica passou, então, a ser o “ponto de escape” para o tédio das pessoas, pois era muito interessante e gostoso descobrir com quem a fulaninha se encontrava, como o padeiro olhava para a vizinha, o que a faladeira do bairro dizia... Ah, como a janela era mágica!

O tempo passou, as coisas mudaram. Pois é, apenas as coisas mudaram. Quer ver? Hoje nem temos tempo para ficar na janela, afinal não nos sobra muito tempo depois de darmos conta do trabalho, na novela, do futebol, de tanta coisa. O pouco tempo que nos sobra, no máximo 3 ou 4 horas por dia, aproveitamos para dar uma olhadinha nos e-mails e no Facebook, afinal ninguém é de ferro!

Como é gostoso ligar o computador, abrir o Windows (windows quer dizer janela, em inglês) e acessar a janelinha do Facebook! Esse site já é quase a versão virtual da humanidade, o lado virtual de cada um de nós. É tão popular quanto cafezinho servido em copo de vidro. E como ficamos íntimos de tudo o que gostamos, já chamamos o danado de “o meu face”...

Atente para a cena: entramos no “face”, lemos os recados que alguém escreveu para outra pessoa, olhamos as fotos de outros com mais outros, tomamos conhecimento da vida daqueles que conhecemos ou daqueles que só conhecemos no “face”.

Lá, naquela janelinha, temos tanta coisa para bisbilhotar, colhemos muita informação para fofocar com o pessoal do trabalho, para socializarmos a intimidade de todo mundo. Também podemos divulgar nosso lado profissional e artístico, pensamento, desejos, ideias... É só abrir a janela e pronto!

Então o que mudou? Bem, o tempo passa e as coisas mudam, mas nem tanto, pois as pessoas mudam muito pouco. De que adianta trocar uma coisa pela outra, se o que fazemos com a nova coisa é a mesma que fazíamos com a velha? Interessante é saber o que fazer, podemos ser inteligentes e fazermos coisas novas até em coisas velhas, ou simplesmente repetir o que todo mundo faz... É uma questão de escolha, pense nisso!