A síndrome do pessimismo

Todo mundo é comentarista! Todos têm o que dizer, resmungar e apontar os erros. Cada um é dono da verdade, pelo menos pensa assim.

Lemos uma página de um grande portal de notícias da internet e logo abaixo vemos vários comentários. Todos falam mal de todos: as pessoas abordadas são burras; o jornalista não soube escrever; o portal é uma droga; o governo é o culpado por tudo; o bandido não teve infância; a polícia é corrupta; a vítima fez por merecer; o transeunte não deveria passar por ali naquele momento... 

São tantos comentaristas cheios de raiva, vociferando contra todos, e inclusive, uns contra os outros: o Jose#sp é estúpido por pensar assim, só podia ser torcedor do “tal time de futebol”; darth_vader está enganado, nada nesse país vai prestar; tem que acabar com bolsa família e o PROUNI; blá, blá, blá...

Abrimos a mais conhecida revista impressa do país e as manchetes começam assim: fim da euforia, a crise vem aí, o fim do mundo, o colapso disso ou daquilo etc.

Até parece que o espírito de Friedrich Nietzsche baixou em todos os brasileiros! Nietzsche, pensador do século XIX, se destacou pela negação absoluta, pela crítica pura e por outros pessimismos mordazes. Foi um dos precursores do niilismo, doutrina que se notabilizou em negar, dizer que o nada é a única verdade. Será que também estou sendo niilista agora?

Somos quase 200 milhões de comentaristas e de opositores. Somos “os do contra”, cuja maior certeza é que nada vai dar certo. Mesmo formando grupos, na maioria das vezes motivados por interesses em comum, estamos sempre “rachando”, nos dividindo em opiniões e em verdades absolutas de cada um. 

A bem da verdade, existem zilhões de motivos para sermos tão pessimistas, como também há igual para sermos esperançosos. Realmente a política é suja, a educação está na UTI, os alunos são desinteressados, os trabalhadores não se qualificam etc. Mas há poucas décadas a porcentagem de mortalidade era o dobro, era comum lata d’água na cabeça, luz de candeeiro à noite, se formar na quarta série, casal com 18 filhos para criar...

Precisamos nos tornar mais observadores e agradecidos. Reclamamos que faltou pimenta na feijoada do almoço, maldizemos a vida que temos ao lado de tantos falimiliares e amigos fiéis, vociferamos o preço do remédio que nos ajuda a ter saúde, brigamos com o amigo quase irmão no seu primeiro erro. Necessitamos observar!

Hoje, não vivemos na era da obscuridade, da proibição  e do castigo por pensarmos ou sermos diferentes, estamos numa era de ouro das oportunidades, de transformações e de momentos propícios para a criatividade. Portanto, temos que saber aproveitar isso e não ficarmos repetindo o passado.

Vamos valorizar as ideias, vamos criar, sentir, aceitar e deixar que cada um pense, diga e faça o que achar conveniente! Do que não gostarmos, vamos fazer melhor. É melhor do que falar... Pronto, já disse.