Relato Histórico da Educação de Ribeira do Pombal

Resumo da história da educação nesse município até 1999

Para entender o momento presente é necessário apreciar o passado. Do mesmo modo não se pode pode operar a situação da educação sem haver uma visão de todos os seus momentos. A educação pombalense começou de uma maneira bastante comum no Brasil, com os Jesuítas.

Daí por diante tomou os rumos também comuns no percurso de um país colonizado e atrasado; professores leigos, ensino não regulamentado e mesmo assim elitista e quase sem perspectiva nenhuma para a camada popular. Sabe-se que a educação nos dias atuais tem conquistado mais espaço nos aspectos quantitativos e qualitativos, em relação aos anos anteriores, fato comprovado pelo número de escolas que são fundadas a cada ano e pelo aumento do número de alunos.

Por outro lado, tem-se consciência de que é necessário uma preocupação cada vez maior no que se refere ao investimento na educação, visto que é ela quem prepara o indivíduo para atuar ativamente em prol de uma sociedade justa e consciente. É nesse contexto que a educação municipal de Ribeira do Pombal caminha a passos largos, no caminho do futuro.

Esse caminho passou por professores leigos que heroicamente desempenharam o papel de ensinar a ler e a escrever, pelas primeiras escolas estaduais, dando início ao papel do município na implantação de suas escolas e seu consequente crescimetno pelos recantos municipais.

 

O presente trabalho tem por objetivo promover um resgate histórico da educação municipal de Ribeira do Pombal, levando-se em conta os aspectos sociais e culturais da comunidade envolvida.

Desse modo espera-se que num passo seguinte permita que aqueles que são partes integrantes do processo possam situar-se melhor no caminho a percorrer, pois o conhecimento real da vida dos envolvidos é sempre muito mais significativo do que o conhecimento aplicado durante o ano letivo. Nota-se que tanto o corpo docente como o discente muitas vezes desconhecem a própria situação pessoal e municipal como parte integrante do todo.

Então é quando deixam de agir localmente, desconhecendo até que fazem parte do processo geral. É notório que só se falha quando se desconhece, mas só há acertos quando se anda por caminhos firmes. Por isso mesmo o conhecimento da realidade local são os terrenos do saber preciso e eficiente.

Desse modo espera-se que o presente levantamento de pesquisas de campo e registros da educação municipal, do passado e do presente, propicie aos profissionais da educação uma maior visão do conjunto a que esteja trilhando. Mas que também que cada uma se permita envolver-se.

 

 

A EDUCAÇÃO MUNICIPAL DE RIBEIRA DO POMBAL

 

Antecedentes Históricos

A Educação em Ribeira do Pombal começou mesmo, a partir da chegada dos Jesuítas, como no restante do país. A obra missionária começou com Jacob Rolando e João de Barros, mas somente no que diz respeito à catequese indígena (Índios Kiriris).

A partir de 1672, com o Padre Jacques Cocle é que passou a ter aulas (de ler e escrever) para os filhos dos não-índios. É que o lugar agra já compreendia uma “freguesia” com razoável número de posseiros, fazendeiros e outros moradores. O Município de Ribeira do Pombal foi criado em 1758, mas a educação pombalense estava restrita às aulas de professores leigos, que eram as “bancas” na cidadela e no interior do município, além da Igreja, que ministrava o curso do catecismo, e, com ele (paralelamente ou anteriormente), a alfabetização.

Era considerado satisfatório saber ler e escrever. O município atravessou os séculos XVII, XVIII e XIX com essas características gerais, salvo as transformações normais dos tempos. Observou-se, por exemplo, que no final do século XIX, coronéis, fazendeiros e outros tantos influentes, mantinham professores particulares que ministravam aulas em suas próprias casas para os filhos (preferencialmente aos homens).

Alguns deles obtinham assim, um pouco de preparo nas “letras” para poderem iniciar seus estudos na capital. Mas foram apenas alguns mesmo. Enquanto isso, o município não tinha sequer uma escola regular. O ensino era leigo e particular.

 

O SÉCULO XX

O município começa um novo século sem muitas mudanças qualitativas. Apenas o número de pessoas aumentou, consequentemente, também o número de “escolas” particulares dos professores leigos, uma grande maioria assim o fazia na sua própria casa, munida de bancos rústicos, mesa enorme adornada de uma pesada palmatória.

Por que esse tipo de educação precário parecia satisfazer aos moradores do município? Pombal parecia ser um lugar isolado em si mesmo, sem conexão com o mundo, como assim era a maioria dos municípios do Nordeste, ou até mesmo, do país. Então é que desponta o século XX, anunciando e trazendo transformações várias, e, com elas, uma nova visão do mundo, como algo bem maior do que a “vidinha caolha” simplória do lugar.

O município precisava agora satisfazer aos anseios dos seus moradores, ou, pelo menos, das famílias dominantes. Em 1931, Pombal sofre um duro golpe: perde a condição de município e passa a pertencer ao município de Cipó, funcionando na cidade, uma sub-prefeitura. Essa situação feriu o orgulho das famílias dominantes de maneira tal, que quando a cidade recuperou a autonomia política dois anos depois, passaram a desejar encobrir o fracasso político com o progresso.

Na área da educação, “conspiraram” pela implantação de escolas regulares municipais.

 

PRIMEIRAS ESCOLAS REGULARES

A partir dos anos 40 o Município de Pombal ganhou um “presente” do governo estadual, a primeira escola regular, as Escolas Reunidas Rui Barbosa, que funcionava num prédio construído para esse fim, à Avenida Evência Brito, onde foi a antiga prefeitura e é, atualmente, a Câmara de Vereadores.

Fazendo parte da escola havia um salão localizado no antigo mercado( já extinto). Além dessa, outra foi construída no Distrito de Mirandela, fazendo parte do conjunto. Apesar de serem escolas públicas, as Escolas Reunidas serviram para atender a elite pombalense, pois, para ser matriculado, o futuro aluno teria que passar por um exame admissional e ainda por uma entrevista. Fica claro que tinham mais chances aqueles que tinham melhores condições financeiras para tomar aulas particulares, as famosas “bancas”.

 

Destacaram-se como professoras:

• Adélia Silva Costa, esposa do deputado Antonio Brito Costa, que também chegou a ser a primeira delegada de ensino do município.

• Enide Dantas Costa, conceituada professora pombalense, com destacada importância na educação, assim como a sua irmã, a professora Salomé. Não há ninguém no município que já não tenha sido aluno da professora Enide, ou que tenha sido sua contemporânea, que não lhe dê apreço e grande admiração por ela e por seu trabalho.

 

Apesar de serem escolas estaduais, as Escolas Reunidas foram o primeiro grande marco da educação pombalense. Depois delas, já nos anos 50, o município desperta para a construção de escolas.

Em 1950, a situação da educação municipal era a seguinte, de acordo com o Censo:

* População de 5 anos e mais: 19.473 habitantes.

* desse total, sabiam ler e escrever: 3.213 pessoas.

* Taxa de alfabetização: 17% sobre a população em idade escolar.

A situação educacional era ainda precária, visto que não se muda algo que está incorporado à cultura de um povo, da noite para o dia. Ainda mais quando é a educação, o principal instrumento de transformação, e era ela justamente a causa em questão, inicialmente, de tal modo que em 1956, existiam em funcionamento 10 escolas do ensino primário fundamental comum, das quais, 3 estaduais, 1 particular e 6 municipais.

A matrícula efetiva foi apenas de 431 alunos no geral, dos quais, cerca de 250 eram atendidos pela rede municipal. Não havia escola alguma de segundo grau. Nesse transcurso de tempo até hoje, surgiram importantes escolas, como a Escola Municipal Boca da Mata (em 1950), Escola Municipal Curral Falso (em 1950), Escola Municpal de Pedras (em 1956), Escola Estadual Escola Joana Angélica (em 1958). A Escola Municipal Normal de Ribeira do Pombal, surgida a partir de uma casa de freiras, o Ginásio Industrial Evência Brito (atual CEB), em 1963, dentre outras. Nos anos 60 o município construiu na zona rural 5 escolas e somente no ano de 1968, 24 escolas. Além daquelas que as seguiram.

O salto quantitativo, como o qualitativo, foi enorme na esfera municipal, se compararmos os dados de 1956 com trinta anos depois (1986).

Em relação aos professores em atividade, o município contava então com: 22 profissionais com nível superior, 72 com nível médio pedagógico, 10 com nível médio de outros cursos e 178 professores leigos. Em 1991, foram registrados na rede Municipal, pouco mais de 6.000 alunos.

 

AS ESCOLAS REGULARES MUNICIPAIS

O ex-prefeito Antonio Ferreira de Oliveira Brito (1936), o popular Oliveira Brito, nos idos 1960, era o então Ministro da Educação, das Minas e Energias. Por intermédio dele, Ribeira do pombal conseguiu uma das três verbas federais destinadas à construção de ginásios para o ensino fundamental, que seriam escolas-modelo com ensino profissionalizantes.

A Fundação Oliveira Brito, já extinta, foi o instrumento usado para se atingir esse fim.

 

O Ginásio Industrial Evência Brito

Foi construído num quarteirão inteiro, um pavilhão de salas-de-aula, um pavilhão para administração e biblioteca, e mais um para oficinas. Nesse último, existiam uma serraria com equipamentos modernos, uma gráfica com duas máquinas do tipo “Minerva”, considerada das mais modernas na época, uma Orquestra Filarmônica totalmente equipada e uma sala de artes.

Começou a funcionar em 1963, na gestão do prefeito Ferreira Brito, com 1 turma de primeira série ginasial, tendo 43 alunos. Destes, 26 foram aprovados para a série seguinte e 17 foram reprovados. Dessa primeira turma, destacaram-se vários alunos que são hoje profissionais de diversas áreas, no município e fora dele: - Alice Maria Dantas Costa, professora; - Clarice Pereira do Nascimento, professora e proprietária de escola; - Ubiratan Cezar Rocha, funcionário do Banco do Brasil; - João Morais de Oliveira, funcionário público estadual e empresário; - Renilson Rehem de Souza, atual Secretário de Saúde do Estado da Bahia.

Já os professores que deram o “pontapé” inicial foram: Valdelice F. Morais, Miralda Brito, Maria Dilma B. Costa, José Ernestino, Agrário Carneiro Melo, Fernando Contador, além daqueles que os seguiram de educar. Em 1971 o Curso Normal (magistério) que funcionava de maneira não regulamentar numa casa paroquial foi definitivamente regulamentado pelo prefeito Dr. Décio de Santana, incorporando-o ao GIEB.

Mas o Ginásio Industrial Evência Brito deixa desmoronar o seu potencial quando não aproveita toda a sua estrutura e finalidade a que lhe foi confiada. Assim as oficinas que seriam destinadas à profissionalização de alunos, são relegadas aos últimos planos, de maneira que, tempos depois, máquinas e equipamentos estavam sem uso e ultrapassadas. De todo o acervo, duas máquinas de impressão foram parar numa gráfica particular, os instrumentos da filarmônica foram usados para compor a Filarmônica Municipal XVI de Outubro ( que chegou a ser a segunda melhor da Bahia), restando apenas a serraria, destinada aos serviços de consertos das carteiras do ginásio.

O próprio nome do ginásio muda, o Ginásio Industrial Evência Brito passa a chamar-se Colégio Industrial Evência Brito e, finalmente, já nos anos 80, Colégio Evência Brito. Os diretores do Colégio foram: Dr. Edilson Monteiro, Elofilo, Maria Perpétua Socorro A. D. Costa, João Morais de Oliveira (aluno da primeira turma), Terezinha Rodrigues V. de Brito, Valdelice Gomes Viana, Cleide e, hoje, Ana Maria Nascimento de Oliveira.

Atualmente o CEB ( como é conhecido) comporta: - 36 salas de aula que funcionam nos 3 turnos, sendo quase 100 turmas, das quais: . No Ensino Fundamental são: 20 de 5ª série; 15 de 6ª série; 11 de 7ªsérie; 9 de 8ª série. . No Ensino Médio são: 9 de 1ª série; 2 de 2ª série; 3 de 3ª série e mais 4 de 3ª série do Magistério. . 14 turmas de Aceleração para Correção do Fluxo Escolar. No total são 4.600 alunos, 78 professores e 58 profissionais diversos.

 

Escola Normal Municipal de Ribeira do Pombal

Na ausência de um curso do Ensino Médio, alguns professores ginasiais resolveram juntar seus esforços para a criação do curso do Magistério na cidade. Sabiam das dificuldades para isso, mesmo porque até mesmos eles tiveram que estudar em Salvador para formar-se no magistério.

Mesmo sem regularização do curso nem da escola começaram, em 1970, a ministrar aulas numa casa paroquial situada próximo ao atual almoxarifado da Prefeitura, a Rua Júlio Guerra. Essa primeira turma, tendo concluído a primeira série, não sabia de sua validade. Assim, buscaram junto às autoridades municipais alguma providência, tendo encontrado apoio do então prefeito Dr. Décio de Santana.

No dia 11 de fevereiro de 1971, o prefeito reuniu no seu gabinete os principais professores interessados no andamento do curso para regulamentá-lo, incorporando-o ao CIEB, que, por isso mesmo, deveria passar de Ginásio à Colégio. Dentre esses professores, merece destaque o empenho do Pe. Emílio Ferreira Sobrinho, do Dr. Juarez Alves de Santana, de Maria Dilma Brito Costa e do Dr. José Dantas Costa, todos presentes no ato solene de abertura (oficial) do Curso, quando o prefeito Dr. Décio de Santana teria dito: “ Só creio na força do homem quando tem inteligência e cultura.”

De acordo com as declarações de alguns professores então citados, Dr. Décio ficara marcado por essa realização municipal, pois teria dito com veemência: “Considero essa Escola como o meu verdadeiro grande trabalho.” A regulamentação do Magistério em Pombal teve a presença e deliberação da Inspetora Itinerante do Ensino Médio e Secretaria da Educação do Estado da Bahia, Maria do Socorro Ferreira Batista.

Apesar do importante feito para o futuro da educação de Ribeira do Pombal, o magistério vida curta. Atualmente (ano 2000), o Colégio Evência Brito ministra as quatro turmas de formandos, já com as primeiras e segundas séries encerradas.

 

Escola Joana Angélica

O município ganha uma escola estadual que, futuramente passaria ao âmbito Municipal. Na gestão do governo Antonio Balbino, no ano de 1958, foi construída a Escola Joana Angélica, destinada a atender alunos de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, na Avenida Oliveira Brito. O nome foi dado em homenagem à figura história, mártir da Independência do Brasil (freira superior) Sóror Joana Angélica de Jesus. No começo era apenas uma sala de aula, ampliando depois para três.

Dentre seus primeiros professores cita-se: Lidiane Souza Linhares, Angélica Araújo, Dionice A . P. Santos. Deixa-se de citar outros nomes por fugirem aos esforços da pesquisa empreendida. Em 1985 a escola foi elevada a Estabelecimento de ensino de 1º grau, do Pré à 4ª série, implantando também o Supletivo, nas seguintes modalidades: PEI, EPN, Temoe e Suplência I. No ano de 1998 passa ao âmbito municpal, na administração do prefeito Edvaldo Cardoso Calasans, quando passa por reforma e ampliação. Hoje conta com 378 m2 de área construída, quatro salas de aula, uma sala de vídeo e um núcleo de informática. Atende uma primeira série (14 alunos), duas segunda séries (41), três terceira (54), uma quarta série (34) e com correção do fluxo escolar, sendo: aceleração I (duas turmas e 64 alunos). Além da diretora Maria Ivana de Araújo, existem 12 professores e mais 05 funcionários de apoio.

Escola Professora Adélia Silva Costa

Construída em 1992 pelo governo estadual, a escola ganhou o nome da professora Adélia Silva Costa, nascida em Itapicuru, tendo ensinado nas fazendas no início, muda-se para Ribeira do Pombal, participando e construindo a história da educação pombalense, sendo a primeira delegada de ensino em 1963. Era casada com o deputado Antonio Brito Costa, morreu em 27/12/82. Foram construídas quatro salas de aula, que funcionavam em dois turnos. Existiam 33 alunos em duas turmas de pré-escolar, 135 alunos em quatro turmas de 1ª série e 59 alunos em duas turmas de 2ª série.

Encontra-se entre seus primeiros professores: Aurezi Ribeiro de Santana, Francilene Lopes Freire, Gutervânia A . Santos, Ubaldina S. Reis, Ana Cristina J. Bastos, entre outros. Passou pro domínio municipal em 1998, e em 2000, sofreu grande reforma. Conta hoje com ampliação: 8 salas de aula que funcionam nos três turnos, com 63 alunos em duas turmas de pré-escolar; 70 alunos em 2 turmas de Educação Infantil; 23 alunos em 2 turnos de 1ª série; 85 alunos em duas turmas de 2ª série; 52 alunos em 2 turmas de 3ª série; 65 alunos em duas turmas da 4ª série; 1 turma preparatória para o curso de correção do fluxo escolar, de alunos em defasagem idade/série (com 54 alunos); 13 Aceleração (3ª e 4ª) com 80 alunos, em quatro turnos, e aceleração (1ª e 2ª) com 67 alunos em duas turmas.

Existe também 3 turnos que fazem parte do programa Alfabetização Solidária. A Escola também conta com um núcleo de informática e um Kit de vídeo. A diretora Ana Rita R. Bastos conta com 13 professores e mais 5 profissionais de apoio.

 

Escola municipal do Pombalzinho

O ano de 1968 foi marcado pela construção de muitas escolas municipais. Há muito que a comunidade do Pombalzinho clamava por uma escola no bairro. Assim foi construída uma lá, com quatro salas de aula e algumas a mais para serviços. As primeiras turmas foram uma 2ª série com 12 alunos, uma 3ª série com 10 alunos e uma 4ª com 7 alunos. Daí por diante houve significativo aumento de turmas e de alunos. Não se tem arquivo ou registro de alunos ou professores das primeiras turmas.

Em 1982 o prefeito Pedro Rodrigues da Conceição cometeu um ato comum de administrador cego desprovido de outros sentidos, ao fechar a escola e doar o prédio para sediar o Segundo Pelotão de Polícia Militar. Achava o infeliz prefeito que a segurança era a solução para a sociedade, deixando a educação em segundo plano. O bairro ficou sem escolas , justamente quando a comunidade já se encontrava bem mais numerosa.

Os alunos tiveram que estudar nas escolas da cidade, percorrendo à pé uma distância de 3 quilômetros ( de suas casas até as escolas mais próximas), passando ironicamente pela frente do Pelotão que abrigava uma dúzia de soldados, sua ex-escola. Dois anos mais tarde o vice-prefeito, que assumira o governo municipal, construiu duas salas de aula para tentar compensar o malfeito anterior, principalmente para ganhar votos na eleição vindoura. Essas duas salas de aula foram denominadas de “Escola Para o Povo”, prova irrefutável de demagogia polítca.

Em 1998 o prédio antigo foi retomado pelo prefeito Edvaldo Calasans, voltando a ser a escola do bairro, como sempre fora. As duas salas de aula passaram a formar o anexo da escola. Atualmente chama-se Escola Municipal Professora Maria Menezes Cruz Conceição, em homenagem póstuma a professora do mesmo nome que muito contribuiu na educação pombalense, conquistando o respeito e a gratidão da comunidade. A grande maioria dos seus alunos são oriundos das fazendas circunvizinhas, cujo nível sócio-econômico e cultural é ainda muito baixo.

A escola possui 7 salas de aula, sendo 4 no prédio e mais 3 no anexo, que funcionam nos três turnos, atendendo a 357 alunos distribuídos em 14 turmas, da educação Pré-escolar à 4ª série do Ensino Fundamental. Essas turmas estão assim distribuídas: . Pré-escolar com 34 alunos, Alfabetização com 35, duas turmas de 1ª série com 52 alunos no total, 2 turmas de 2ª série com 61 alunos, 2 turmas de 3ª série com 50 alunos e 1 de 4ª série com 42 alunos.

Existem: uma turma preparatória com 19 alunos, outra com 24, que fazem parte do Projeto Correção e Regularização do Fluxo Escolar. Funcionam ainda uma turma chamada Casse Acelerada com 19 alunos e mais duas: Aceleração I com 24 alunos e Aceleração II com 19 alunos. A diretora da escola é Valdelice Gomes Viana. São 15 professores ao todo. Um deles desenvolve um projeto denominado “Reforço Escolar” dirigidos aos alunos que chegam à Escola na 1ª ou 2ª séries sem saber ler ou escrever. 6. Escola Municipal Maria Pureza Brito Costa Os alunos da zona sul da cidade tinham que deslocarem-se para escolas distantes de suas casas.

Para atender os anseios da comunidade foi construída no ano de 1993 uma escola com duas salas de aula na gestão do prefeito José Renato Brito, à qual deu o nome de uma prima sua, Maria Pureza Brito Costa, mãe de seu aliado político Hélio Brito. Localizada da Avenida F, tem o nome de Escola Municipal Maria Pureza Brito Costa. Dentre os primeiros professores cita-se: Maria Gorete de Moura, Maria Iranice, Ana Lúcia de Almeida, Josefa Oliveira, Lindalva Rocha, Maria Nunes. 15 Existem 2 salas de aula no núcleo, 4 salas alugadas e mais 3 que são a extensão da escola, na Igreja Adventista do 7º Dia. Funcionam nos 3 turnos, comportando 349 alunos nas seguintes séries: . Alfabetização com 23 alunos, 1ª série com 68 alunos, 2ª série com 46 alunos, 3ª série com 08 alunos apenas e 4ª série com 34 alunos. . Além das turmas de Aceleração I com 97 alunos e Aceleração II com 73.

 

Considerações…

Pelo fato de Ribeira do Pombal possuir características e problemas comuns em quase todos os cantos e recantos da cidade, também assim os são nas suas escolas. Na procura de detectá-los encontrou-se os seguintes aspectos comuns a todas as escolas pesquisadas:

. Alto índice de evasão, principalmente no turno notruno;

. Pouquíssima participação dos pais ou familiares com os problemas da escola ou mesmo com a educação;

. Grande distorção série/idade.

. Existência ainda de classe multiseriada;

. Grande número de alunos indisciplinados, cuja visão social é voltada ao campo da violência;

. Índice elevado de repetência.

 

Partindo-se do princípio de que toda consequência tem uma causa procurou-se fazer um levantamento das possíveis causas para os problemas encontrados.

A partir de entrevistas com alguns professores e dos projetos pedagógicos dessas escolas, verificou-se que:

. Normalmente os pais de alunos não se envolvem com a vida escolar dos filhos e até são resistentes quanto a isso;

. Os problemas financeiros, assim como a falta de perspectiva de muitas famílias, estimulam ao abandono escolar no decorrer do ano ou a encarar a unidade escolar como lugar para passar o tempo, decorrendo na repetência;

. Muitas vezes os programas executados nas escolas acabam por fugir da realidade dos alunos;

Apesar das escolas trabalharem numa tentativa constante de uma pratica construtivista, muitas vezes são barradas diante de pouca visão de alguns professores e de um conjunto cultural bastante arraigado no íntimo de cada um, pais, alunos ,educadores, comunidade. Percebe-se que a qualidade melhorou demasiadamente, principalmente nos últimos anos, mas também sabe-se que a semente não germina num minuto. Resta dizer que está no caminho certo.

 

Escolas da Zona Rural

As Escolas Municipais da Zona Rural São muitas as escolas da zona rural pertencentes ao governo municipal, dirigidas e assistidas pela Secretaria Municipal de Educação, sediada na Avenida Oliveira Brito, cuja direção pertence ao secretário Fernando Roberto Amorim Souza.

Destacamos as duas primeiras por serem também colégios do Ensino Fundamental, além das séries do Ensino Fundamental as escolas:

. da Boca da Mata ( fundada em 1950); . do Escola Antonio Pereira - Povoado Barrocão (fundada em 1950); Seguem-se as outras listadas por ordem de fundação: 1950: . Escola Municipal Dr. Décio de Santana – Pov. Curral Falso 1956: . Escola Municipal Francisco Passos Carvalho – Pov. Pedras 1960: . Escola Municipal Himério de S. Oliveira – Faz. Curralinho 1962: . Escola Municipal Tereza P. de Matos – Faz. Piqués . Escola Municipal Santa Lúzia – Pov. Mocó 1964: . Escola Municipal Raimundo Cassiano – Faz. Areal . Escola Municipal Luzia Francisca Conceição – Pov. N. Esperança 1966: . Escola Municipal Álvaro Santos – Faz. Manteiga 1968: . Escola Municipal Manoel Américo Passos – Faz. Cassussu . Escola Municipal Reinaldo Jacobina – Faz. Bodó . Escola Municipal Mª Souza Borges – Faz. Feira da Serra . Escola Municipal Cova do Camarão – Faz. C. do Camarão . Escola Municipal Joaquim Calasans – Faz. Várzea . Escola Municipal Santo Antonio – Faz. Pinto II . Escola Municipal Joaquim Ferreira Costa – Faz. Caruara . Escola Municipal Macário Deus da Silva – Faz. Poço do Agostinho . Escola Municipal Mulungu – Faz. Mulungu . Escola Municipal Família Agrícola – Faz. Serra Grande . Escola Municipal Poço – Pov. Poço . Escola Municipal Fernando José de Santana – Faz. São José . Escola Municipal Enoque Reis – Faz. Espinheiro . Escola Municipal Padre Freire – Faz. Antas . Escola Municipal João Vicente de Santana – Faz. Cajazeira de Cima . Escola Municipal Mª Emília Gama – Faz. Campinas . Escola Municipal Cel. Pedro Costa – Faz. Brejo do Saco Triste . Escola Municipal Antera Costa – Faz. Humildade . Escola Municipal Mariana R. da Conceição – Faz. Queimada Grande . Escola Municipal Pedro Arcênio da Gama – Faz. Queimadinhas . Escola Municipal Junco – Faz. Junco . Escola Municipal Antonio Nascimento de Morais – Faz. Queimadas . Escola Municipal José do Nascimento – Faz. Humins 1970: . Escola Municipal Paulo José de Santana – Faz. Umbuzeiro . Escola Municipal Antonio Carlos Magalhães – Faz. Marcação . Escola Municipal Logrador I – Faz. Logrador I . Escola Municipal Ioiô Ferreira – Faz. Salgadinho . Escola Municipal Poço da Vara I – Faz. Poço da Vara I 1971: . Escola Municipal Clidionor Ferreira Rocha – Faz. Árvore . Escola Municipal Catarino Antonio dos Santos – Faz. Alexandrino I 1972: . Escola Municipal Olímpio Gonçalves– Faz. Saco Grande 1973: . Escola Municipal Pacotiba – Faz.Pacotiba . Escola Municipal Baixa do Umbuzeiro – Faz. Baixa do Umbuzeiro . Escola Municipal João Pereira Sobrinho – Faz. Cajazeira de Baixo 1974: . Escola Municipal Antonio Passos Costa – Faz. Cova da Árvore 1976: . Escola Municipal José Ferreira Costa – Faz. Canavieira de Cima . Escola Municipal Agnelo Ferreira Nascimento – Faz.Abóbora . Escola Municipal D. Pedro II – Faz.Canavieira de Baixo 1978: . Escola Municipal Manoel Américo Costa – Faz. Valença 19 . Escola Municipal Elias Venâncio de Souza – Faz. João do Alto 1979: . Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima – Faz. Alexandrino II 1980: . Escola Municipal Cajarana – Faz. Cajarana . Escola Municipal Pixu – Faz. Pixu . Escola Municipal Josefa Rodrigues dos Santos – Faz. Lagoa do Dão . Escola Municipal Macambira – Faz. Macambira . Escola Municipal Paulo Cardoso de O. Brito – Faz. Urtiga do Espinheiro . Escola Municipal Aracaju– Faz. Aracaju . Escola Municipal Anísio Teixeira– Faz. Contendas . Escola Municipal Cumbe – Faz. Cumbe 1982: . Escola Municipal João Vítor da Luz – Faz. Barro Vermelho . Escola Municipal Militão R. de Souza Faz. Baixa do Boi . Escola Municipal Gamela – Faz. Gamela . Escola Municipal Princesa Isabel – Faz. Canta Galo . Escola Municipal Nelson Cardoso – Faz. Segredo 1985: . Escola Municipal Lourenço Freire Dias – Faz. Baixa das Antas . Escola Municipal Laçador – Faz. Laçador . Escola Municipal Baixa da Caruara– Faz. Baixa da Caruara 1989: . Escola Municipal Francisco Roque da Gama – Faz. Veríssimo . Escola Municipal Poços – Faz. Poços . Escola Municipal Logrador II – Faz. Logrador II 1990: . Escola Municipal Tancredo Neves – Faz. Vargem Comprida . Escola Municipal Aracaju– Faz. Aracaju 1991: . Escola Municipal Dr. José Dantas Costa – Faz. Boa Vista 1993: . Escola Municipal Nossa Senhora do Perp. Socorro – Faz. Paus Pretos . Escola Municipal Manoel Rodrigues da Conceição – Faz. Poço das Varas . Escola Municipal Darcy Ribeiro – Faz. Pedrinhas . Escola Municipal João Ferreira Costa – Faz. Cedro 1994: . Escola Municipal Majó – Faz. Majó 20 Em sistema de comodata entre prefeitura e instituições beneficentes existem algumas escolas: . Escola Amélia Rodrigues, com o Centro Espírita Irmão Salustiano; . Escola Edval Calasans de Macedo, com a Maçonaria; . Escola Plácido Pita, com a igreja Adventista do 7º Dia; . Escola da Assembléia de Deus, com a Igreja do mesmo nome; . Escola Família Agrícola, comunidade de Serra Grande. Existem duas creches: . Creche Enide Dantas Costa; . Creche Casulo Yeda Barradas.

 

A trajetória da educação pombalense, tem muita semelhança com a brasileira. Tudo começou com os jesuítas, mas era uma educação praticada para atingir outros interesses daqueles que queriam a conversão de “gentios”, o povamento de terras “estranhas”, a manutenção e propagação de uma ideologia dominante. Pombal era apenas um minúsculo ponto integrante desse contexto generalizado no país inteiro.

Do primeiro morador desse lugar ao primeiro cidadão pombalense, essa foi a realidade comum. Como município, a educação em Ribeira do Pombal teve um começo também comum na época, de escolas não regulamentadas, despreparadas, chegando mesmo a ser informais, mas mesmo assim, elitizadas. Essa era a cara de um país recém-colonizado, com um povo de mentalidade compatível com a situação. Dominados que só sabiam servir e dominantes que só queriam explorar. Por assim ser, só há pouco mais de cinquenta anos, num município de mais de duzentos, é que se construíram escolas municipais regulamentadas.

Prova clara de que interesses diversos sempre estiveram à frente da educação. Porém, os últimos cinquenta anos foi um período de um despertar longo, de um sono infinitamente maior. O município desabrochou, enfim, com os ares bons da educação. Os tropeços foram tentativas de caminhar. As centenas de escolas municipais são uma prova irrefutável disso. Houve também o fato de alguns administradores terem tentado tirar proveito de números e estatísticas para obterem poder, mas nem todos foram assim. Agora é o momento mais importante de todos os tempos. Agora, a educação em Ribeira do Pombal anda em passos muito mais largos, em direção a um futuro melhor para todos. Esse é o objetivo.

 

BIBLIOGRAFIA

. INFORMAÇÕES BÁSICAS DOS MUNICÍPIOIS BAIANOS.CEI. Salvador, 1994.

. ANUÁRIO ESTATÍSTICO BRASILEIRO. IBGE. Rio de Janeiro, 1960.

. AMORIM, FERNANDO ROBERTO. Breve Histórico do Município de Ribeira do Pombal, 1ª Edição, 1998.

 

OUTRAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Documentos:

. Ata de Resultados Finais. GIEB, 1963.

. Cadernetas Escolares da Escola Municipal Adélia Costa. 1982.

. Projeto Pedagógico da Escola Municipal Pureza Brito.

. Projeto Pedagógico da Escola Municipal Joana Angélica.

. Documentos de Arquivo da Escola Joana Angélica.

. Documentos de Arquivo Pessoal da Profª Francisca D. Costa. Entrevistas:

. Profª Enide Dantas Costa.

. Profª Maria Perpétua Socorro A.D. Costa.

. Profª Francisca Dantas Costa. . João Morais de Oliveira.

. Profª Ana Maria Nascimento de Oliveira.

. Valdelice Gomes Viana.

 

Por Osvaldo Morais, Sandoval Caetano e Songival Celestino